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20 de Janeiro de 2017

Vida Cristã

O Verdadeiro amor

Prezados internautas, ainda no primeiro mês do Ano Novo, desejo oferecer para cada família uma proposta de retomar a experiência do verdadeiro amor. Sabemos que essa é base essencial para a formação humana, o sadio convívio familiar e social, e nos conduz Àquele que é a razão última de nossa existência. Deus Amor, que se encarnou, viveu numa família, anunciou a mensagem de amor, de justiça e perdão, e morreu por nós na Cruz, para nos conduzir à Vida Nova pela Ressurreição, testemunhando o Perfeito Amor por nós, obras de suas mãos.

Hoje devemos mais ainda acreditar que a formação dos filhos e a estabilidade de uma família deve estar enraizada nesse Amor que supera todos os obstáculos.

Em 1995, o Conselho Pontifício para a Família ofereceu aos cristãos orientações educativas em família com o documento “Sexualidade Humana – Verdade e Significado”. À luz da Palavra de Deus, o documento nos convida a contemplar a vocação, o chamado ao verdadeiro amor. Abaixo, algumas citações do referido documento que nos ajudarão a refletir sobre a educação dos filhos ao verdadeiro amor (nº 08-12.)

Chamado ao verdadeiro amor

O ser humano, enquanto imagem de Deus, é criado para amar. Essa verdade foi-nos revelada plenamente no Novo Testamento, juntamente com o mistério da vida intratrinitária: “Deus é amor (1Jo 4,8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão.O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano”. Todo o sentido da própria liberdade, do autodomínio consequente, é assim orientado ao dom de si na comunhão e na amizade com Deus e com os outros.

O amor humano como dom de si

A pessoa é, portanto, capaz de um tipo de amor superior: não o amor da concupiscência, que vê só objetos com que satisfazer aos próprios apetites, mas o amor de amizade e oblatividade, capaz de reconhecer e amar as pessoas por si mesmas.

É um amor capaz de generosidade, à semelhança do amor de Deus; quer-se bem ao outro porque se reconhece que é digno de ser amado. É um amor que gera a comunhão entre as pessoas, visto que cada um considera o bem do outro como próprio. É um dom de si feito àquele que se ama, no qual se descobre, se atua a própria bondade na comunhão de pessoas e se aprende o valor de ser amado e de amar.

Cada ser humano é chamado ao amor de amizade e de oblatividade; e é libertado da tendência ao egoísmo pelo amor de outros: em primeiro lugar pelos pais ou seus substitutos e, em definitivo, por Deus, de quem procede todo o amor verdadeiro e em cujo amor somente a pessoa humana descobre até que ponto é amada. Aqui se encontra a raiz da força educadora do cristianismo: “O homem é amado por Deus! Esse é o mais simples e o mais comovente anúncio de que a Igreja é devedora ao homem”. Foi assim que Cristo revelou ao ser humano a sua verdadeira identidade: “Cristo, que é o novo Adão, na mesma revelação do mistério do Pai e do Seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e descobre-lhe a sua altíssima vocação”.

O amor revelado por Cristo, aquele amor ao qual o apóstolo Paulo dedicou um hino na Primeira Carta aos Coríntios, é, sem dúvida, um amor exigente. Mas nisto mesmo está a sua beleza: no fato de ser exigente, porque desse modo constrói o verdadeiro bem do homem e irradia-o também sobre os outros. Por isso é um amor que respeita a pessoa e a edifica, porque o amor é verdadeiro quando cria o bem das pessoas e das comunidades, cria-o e dá-o aos outros.

Irmã Miriam Thomassim
Instituto Coração de Jesus

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